Seattle Seahawks x New England Patriots – Personagens diferentes, histórias semelhantes

Esse texto foi produzido pelo redator Rhuan Firmino.

O duelo que marcou o Sunday Night Football foi a reedição do Superbowl XLIX, o famoso jogo do passe na linha de uma jarda.

A expectativa era alta, com um Russell Wilson ótimo, como sempre, e largando na frente pela corrida para MVP, contra os Patriots de Bill Belichik, que procura em Cam Newton a solução para seu divórcio com Tom Brady. Os dois QBs têm como característica comum serem móveis e não se acomodarem no pocket, além da resiliência para lutarem por cada jogada até o fim. Não vimos nada aquém da expectativa no jogo de domingo.

O esporte é uma caixinha de surpresas, e os Patriots, que após 64 jogos de temporada regular sendo favorito na casa de apostas (maior sequência da era Superbowl) foi considerado underdog por 4 pontos, teve um presente logo no primeiro minuto; Greg Olsen, que veio com a missão de trazer segurança ao ataque, foi altamente inseguro ao não conseguir encaixar o passe de Russell Wilson, deixando ela no colo do Devin McCourty que correu até a endzone para anotar a pick six. Com um começo de partida emocionante, naturalmente ela deveria se manter assim até o último segundo. E foi.

Cam Newton fez uma ótima partida.

Após sair atrás, Wilson conduziu bem a equipe em um drive que terminou com uma jogada clássica do camisa 3: movimentação lateral, sai do pocket em direção à linha de scrimmage e lança na endzone para a recepção de Tyler Lockett. Uma jogada dificílima, mas ele faz parecer fácil. 7 a 7.

Nesse momento a narrativa parecia se encaminhar para o duelo entre o ataque dos Seahawks x a defesa dos Patriots, mas ofensivamente New England estava longe de ser inofensivo, muito pelo contrário. Parece que Bill Belichik, fã assumido de quarterbacks móveis, não poderia ter substituto melhor para se esquema de jogo. Cam Newton mostrou muita competência para conectar bons passes ao seu corpo de recebedores, e confiança para se mover do pocket quando necessário, anotando um TD corrido.

Ao final do 2° quarto, com o placar de 14×14, tínhamos um jogaço frente aos nossos olhos. A categoria do maestro Wilson, um dos melhores líderes na NFL, contra a perseverança de um aguerrido Patriots.

No segundo tempo, a exemplo do jogo contra os Falcons, Seattle veio para resolver o jogo, anotando 14 pontos e permitindo apenas 3, levando o jogo para o último quarto em uma vantagem de 28×17. Ao ter duas posses de bola na frente, os Seahawks somente administraram o jogo em Atlanta, e parecia ser o plano aqui também.

Patriots vs. Seahawks final score: Russell Wilson cooks, Seattle defense  gets huge stop to top New England - CBSSports.com
Russel Wilson foi o homem do jogo.

De fato, um ataque que esbanja confiança e que a cada posse de bola é expectativa de pontuação, aliado a uma defesa sólida, os Seahawks tinham a faca e o queijo na mão. 35×23 com 4:30 no relógio, Pete Carroll se permitiu defender o fundo do campo, oferecendo assim as jogadas mais curtas. Cam Newton não recusou, e após dois minutos de campanha, anotou o TD que levou o jogo para uma posse de bola.

Two minute warning. Um jogão entre Seattle Seahawks e New England Patriots, com muita categoria para ambos os lados, tinha como duelo derradeiro o QB de Seattle tentando gastar o cronômetro e não dar aos Patriots a última bola do jogo para vencerem.

Russell Wilson é excelente, mas não é perfeito, e saiu de campo após breves 30 segundos, passando uma bola em profundidade em uma 3rd&1, escolha bem questionável. Novamente o fantasma da uma jarda assombrava Seattle. Novamente teriam eles ido para um passe quando deveriam correr com a bola contra New England? O roteiro de 2015 se repetiria? Ao contrário da ocasião, a definição estava nas mãos do outro lado.

1:50 de relógio para Cam Newton guiar o drive da vitória e com boas conexões o QB chegou na porta da endzone.

Restavam três segundos no relógio. Linha de uma jarda. O destino pode ser muito irônico às vezes. Os Seahawks que tanto sofreram com essa velha história da uma jarda, agora dependiam dela para sorrirem. Quem diria, a velha história, com novos personagens. Seria Cam Newton no comando do ataque buscando a vitória no instante final. Também não seria Pete Carroll para chamar um passe, seria Bill Belichik a escolher uma corrida para o próprio Cam Newton correr, jogada com a qual ele conquistou dois TDs ao longo do jogo. E também não seria Malcom Butler a interromper a vitória na porta, seria LJ Collier e Lano Hill ao mirarem nas pernas do QB dos Patriots e o derrubarem antes do plano de gol. Histórias semelhantes, personagens diferentes, e vencedores diferentes também.

Dessa vez o triunfo foi dos Seattle Seahawks, que esperam ter exorcizado esse fantasma de uma vez por todas.

Pelo outro lado, a vitória ficou a um passo de distância. Mas, o desempenho foi acima do esperado e com certeza o torcedor que deposita suas esperanças em Cam Newton, pode se permitir a sonhar.

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